Mobilidade, vem do Latim mobilis, “o que pode ser movido, deslocado, é passível de movimento”. A palavra celular do inglês é mobile.
Para sociologia, mobilidade social é um conceito de extrema importância uma vez que tal atributo representa o nível de deslocamento social dentro dos vários estratos que existem na sociedade. Os aspectos dinâmicos do interior dos estratos sociais costumam ser percebidos através do que os sociólogos chamam de mobilidade social e nem sempre esta impressão que temos corresponde de fato com o deslocamento de indivíduos de uma camada para outra da sociedade.
Neste sentido, podemos remeter a Giddens (2005) para apresentar o conceito de mobilidade social:
“Refere-se ao deslocamento de indivíduos e grupos entre posições socioeconômicas diferentes”
Principais tipos de mobilidade social são "horizontal" e "vertical"
Quando há mobilidade horizontal a pessoa muda de posição dentro de um determinado grupo, mas permanece no mesmo estrato social. A exemplo disto temos o caso de morador que se torna síndico. Ele não muda substancialmente de renda,status ou poder aquisitivo, mas percebe-se que a posição social dele é maior dentro da esfera simbólica por conta do cargo que ele ocupa.
No outro exemplo de mobilidade - a vertical - o indivíduo ou grupo mudam nível ou estrato social. Por exemplo, uma pessoa que passa num bom concurso público e outrora era integramente da classe “C”, pode deslocar-se para a “B” ou outra classe.
Agora que vimos os principais tipos de mobilidade, podemos ver como os sociólogos analisam estas dinâmicas. Como possibilidade de estudo podemos fazer um estudo da mobilidade social de várias gerações diferentes ou a partir da mesma geração. Para isso temos abordagem intrageracional e intergeracional.
Da mesma forma que o indivíduo pode ascender socialmente dentro dessa dinâmica de posições e deslocamentos sociais, é possível ir para um nível ou estrato mais baixo. Para isso, podemos diferenciar a mobilidade social ascendente, quando os sujeitos vão para um nível social superior e descendente, quando vão para um nível social inferior. Ressumindo, “E o motivo todo mundo já conhece é que o de cima sobe o debaixo desce...”
Por fim, podemos concluir que mesmo que na sociedade haja elementos estáticos, há outros que são dinâmicos É preciso conhecer bem esta dinâmica para compreender que rumos tomaremos como sujeitos sociais.
Em uma empresa, o patrão tem direitos e deveres, além de privilégios, diferentes dos de seus empregados. Numa escola, os direitos e deveres do professor são diferentes dos de seus alunos. Todo indivíduo ocupa na sociedade em que vive posições sociais que lhe dão maior ou menor valor, prestígio social e poder.
A posição ocupada pelo indivíduo no grupo social ou na sociedade denomina-se status social.
O status social implica direitos, deveres,manifestações de prestígio e até privilégios,conforme o valor social conferido a cada posição. Assim, os diretores de uma grande empresa gozam de certas regalias - altos rendimentos, carro à disposição, sala bem decorada, secretárias, tratamento cerimonioso por parte dos funcionários -, vantagens que os outros empregados não têm. Ou seja, o status dos diretores é mais elevado. Seus deveres e responsabilidades estão ligados a esse status, e muitas vezes eles precisam tomar decisões difíceis a favor da empresa, como demitir funcionários ou cortar salários.
Numa sociedade, o indivíduo ocupa tantos status quantos são os grupos sociais a que pertence. Vejamos o exemplo de uma pessoa que é chefe de família, ocupa o cargo de gerente de vendas de uma empresa, é sócio de um clube, frequenta a igreja de seu bairro, pertence ao diretório regional de um partido político. Essa pessoa tem um status no grupo familiar, um status ocupacional, um status no grupo de recreação, outro no grupo religioso e outro ainda no partido político.
Dependendo da maneira pela qual o indivíduo obtém seu status, este pode ser classificado em:
status atribuído - não é escolhido voluntariamente pelo indivíduo e não depende de suas ações ou qualidades. Por exemplo, o status de "filho de operário" ou de "irmão caçula". Os principais fatores atribuidores de status são: idade, sexo, raça, laços de parentesco, classe social etc.;
status adquirido - obtido em função das qualidades pessoais do indivíduo, de sua capacidade e habilidade. Os status que uma pessoa obtém ao longo da vida como resultado de competição e trabalho são status adquiridos, pois dependem de suas habilidades pessoais e supõem uma vitória sobre outros concorrentes e o reconhecimento de tal êxito pelo grupo social.
Em algumas sociedades, como na Europa medieval, os status eram quase que exclusivamente atribuídos (uma pessoa era nobre porque sua família pertencia à nobreza). Nas sociedades modernas, predominam os status adquiridos. Um exemplo de sociedade em que ainda imperam os status atribuídos é a índia, onde as pessoas já nascem dentro de uma categoria social- a casta - e nela permanecem até a morte, sem possibilidade de mudança de status.
Em nossa sociedade, os indivíduos geralmente buscam status mais elevados. Isso explica a insistência com que se procura "subir na vida". Quanto mais escassas as oportunidades para se conquistar determinado status, mais intensa a competição entre os concorrentes em disputa por ele.
Papel social
Ao dar uma aula e exigir que os alunos prestem atenção, o professor está cumprindo os:
- deveres e exercendo os direitos ligados a seu status social. Ou seja, está cumprindo seu papel social.
Papéis sociais são os comportamentos que o grupo social espera de qualquer pessoa que ocupe determinado status social. Corresponde mais precisamente às tarefas, às obrigações inerentes ao status. Por exemplo, de um médico se espera que atenda corretamente seus pacientes, que se preocupe com eles, que ouça suas queixas, que faça um diagnóstico preciso e que trate as enfermidades de modo competente. Caso não aja assim, não estará cumprindo o papel que seu status de médico determina e será, portanto, questionado pela sociedade.Status e papel social são coisas inseparáveis e só os distinguimos para fins de estudo. Não há status que não corresponda a um papel social e vice-versa.
Todas as pessoas sabem o que esperar ou exigir do indivíduo, de acordo com o status que ele ocupa no grupo ou na sociedade. E a sociedade sempre encontra meios para punir os indivíduos que não cumprem seu papel.
Embora alguns autores valorizem a longa duração e outros não, todos concordam que os processos sociais são relacionados â mudanças e/ou transformações que ocorrem de forma contínua e que entre outras coisas, refletem determinados tipos de relações socais. Segundo Oliveira (2001) qualquer mudança proveniente dos contatos e da interação social entre os membros de uma sociedade constitui, um processo social.
Tipos de processo social
ASSOCIATIVOS (Cooperação, Acomodação e Assimilação)
Cooperação - É um tipo de processo social caracterizado pela atuação de um ou mais indivíduos atuam juntos visando uma finalidade comum. A cooperação pode ser ainda:
Direta ou temporária – quando as pessoas se unem para realizar uma atividade durante um período determinado. Exemplo : mutirões para a construção de casas populares.
Contínua ou Indireta - quando as pessoas unidas em atividades diferentes, sempre necessitam indiretamente umas das outras, por não serem auto-suficientes. Exemplo: o médico e o lavrador – o médico não pode viver sem o alimento produzido pelo lavrador, e este necessita do medico quando fica doente.
Acomodação-É um processo social com o objetivo de diminuir o conflito entre indivíduos ou grupos, reduzindo o mesmo e encontrando um novo modus vivendi. O modus vivendi é uma espécie de arranjo temporário, que possibilita a convivência entre elementos e grupos antagônicos. Segundo Oliveira (2201) A acomodação é o processo social em que o indivíduo ou o grupo se ajusta a uma situação de conflito, sem que ocorram transformações internas, trata-se, portanto, de uma solução superficial com alcance menor que a assimilação.A acomodação cooperação pode assumir diversas formas como:
Coerção- pautada na ameaça e uso da força do mais forte sobre o mais fraco.
Compromisso – Quando as partes envolvidas possuem poderes semelhantes e chegam a acomodação através de concessões mútuas.
Arbitragem – Acomodação obtida por meio de um terceiro.
Tolerância – caracteriza o grau mínimo de acomodação. Não podendo ser considerado uma solução para situações conflitivas.
Conciliação – envolve mudanças de sentimento com diminuição da hostilidade
Exemplos de acomodação. Imigrantes recém chegados, diplomacia, pactos pos- guerra, relação entre grupos religiosos, etc..
Yasser Arafat cumprimenta o primeiro ministro de Israel, Yatzhak Rabin
Assimilação – Bastante associado a ideia de integração sócio-cultural , esse tipo de processo social ocorre quando um indivíduo ou grupo aceita e adquire padrões culturais (costumes, tradição comportamento) de outro indivíduo ou grupo distinto. Segundo Oliveira(2001) trata-se de um processo de ajustamento, pelo qual os indivíduos ou grupos diferentes tornam-se semelhantes. Difere da acomodação, porque implica em transformações internas nos indivíduos ou grupo. Tais modificações envolvem mudanças na maneira de pensar, de sentir e agir.
Exemplo, índios catequizados
Padre Anchieta catequizando índias
DISSOCIATIVOS (Competição e Conflito)
Competição – Alguns sociólogos afirmam que a competição é a forma mais elementar e universal de interação, consistindo em uma luta disputa incessante por coisas concretas.Alguns acrescentam que trata-se de uma contenda contínua, inconsciente e impessoal.
Exemplo. Ações relacionadas a obtenção de êxito na vida econômica, na posição social, nos esportes, nas atividades profissionais.
competição de ciclismo
Conflito – Ocorre quando a competição assume características de elevada tensão social. No processo de conflito a luta torna-se pessoal e hostil, já que cada um dos envolvidos tem consciência de que para alcançar os próprios objetivos é necessário fazer com que o adversário não alcance o seu. O conflito é uma contenda de indivíduos ou grupos, em que cada qual dos contendores almeja uma solução que exclui a desejada pelo adversário.
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ATIVIDADES PROPOSTAS:
ATIVIDADE EXTRA
Após ler o texto realize a atividade abaixo. Para resolvê-la leia as orientações com atenção. Não esqueça de colocar seu nome completo na atividade. Ao terminar click em “Finish” (finalizar). Depois selecione “Enviar as minhas respostas ao professor” e mandar para o e-mail: angela.boscardin@gmail.com
Os agregados sociais são um termo específico para designar um determinado grupo de pessoas com certas características dentro do tecido social. Este conceito em Sociologia, e até mesmo na Psicologia Social, é importante no estudo sobre os grupos sociais e como eles interagem na sociedade, impactando no processo social e nos acontecimentos da vida dos indivíduos.
Neste artigo, você irá compreender quais grupos de pessoas compõem os agregados sociais, os principais tipos, bem como suas características. Além disso, será apresentada a diferença deste conceito com relação aos grupos sociais, outro elemento bastante relevante dentro da Sociologia!
O que são agregados sociais?
Os agregados sociais são muito utilizados para se referir a uma “reunião de pessoas com fraco sentimento grupal e frouxamente aglomeradas”, conforme Pérsio Santos de Oliveira destaca no livro Introdução à Sociologia. Apesar desse vínculo frágil, tais indivíduos conseguem produzir uma comunicação entre si, ainda que mínima, bem como mantêm algumas relações sociais. Em geral, no entanto, esse processo se dá de maneira relativamente anônima.
A título de exemplo, uma série de desempregados em uma fila para conseguir um trabalho pode ser indicado como um grupo de agregados sociais que interagem minimamente entre si, de forma anônima. Em geral, esses indivíduos estão mais ligados a setores marginalizados da sociedade do que aqueles que estão integrados e conseguem ter participação mais relevante nos processos sociais.
De qualquer forma, a intensidade e a forma de interação dos agregados vai depender de como eles reagem aos estímulos recebidos, a possibilidade de conseguir intervir naquilo de seu interesse e com a razão para que eles se integrem enquanto agregados.
Tipos de agregados
São três os tipos de agregados sociais: a multidão, a massa e o público.
A multidão é um grupo de indivíduos que detém um motivo em comum entre si e estão dentro de um mesmo espaço físico. A multidão pode se criar de maneira espontânea, sem uma comunicação anterior dos envolvidos, e não tem necessariamente uma liderança ou uma hierarquia definida. Também, não existem organização ou regras pré-estabelecidas, cada pessoa conta com o seu julgamento íntimo na hora de tomar as suas decisões. Não são levados em conta nome ou posição social.
Um exemplo recente é quanto as Manifestações de Junho de 2013, que começaram em São Paulo, com alguns grupos específicos, protestando contra o aumento da tarifa de ônibus, mas que depois passaram a englobar outras cidades, ampliando as reivindicações, sem uma liderança clara e com vários grupos colocando os seus anseios nas ruas durante semanas. Posteriormente, alguns grupos tomaram a frente das ações e mudaram um pouco a configuração do movimento.
Por sua vez, massa é um conceito mais complicado de se definir e diz respeito a um agrupamento virtual de pessoas, já que não há contato físico ou interação direta entre quem faz parte da massa. Outra característica é que, quando o indivíduo entra em contato com a massa, acaba perdendo as suas características individuais.
Eles não interagem entre si, nem possuem a capacidade de criticar aquilo que os integrou como massa, ou seja, são passivos. Os telespectadores de um programa de televisão podem ser enquadrados como massa, pois possuem os mesmos interesses, mas sem interação, e consomem passivamente a mensagem que assistem.
Já o público não possui uma forma específica, sendo que ele responde a um mesmo estímulo espontaneamente. Nem sempre estão no mesmo espaço físico, podendo ser formados, por exemplo, de maneira virtual por meio da Internet.
Mas, vale destacar que todos os sujeitos estão expostos aos mesmos estímulos. O público possui uma certa organização e, além disso, pode interagir entre si e com aquilo que os estimulou a agregar como público, seja por meio de aplausos, vaias, opiniões, o público pode interagir, por exemplo, durante um show musical, uma peça de teatro ou mesmo em uma partida de futebol.
Importante salientar que cada um deles é distinto do outro, porém, é possível que eles possam se tornar comuns entre si, dependendo do meio no qual se formam.
Diferença entre agregados e grupos sociais
A principal diferença entre os agregados sociais e os grupos sociais é que os primeiros possuem, em geral, pouca interação ou mesmo participação clara na sociedade enquanto agrupamento. O anonimato impede que sejam compartilhados elementos que possam identificá-los entre si e possibilitar uma maior interação social.
Já o grupo social é definido, pela Sociologia, como qualquer reunião estável de dois ou mais indivíduos associados pela interação. Por conta dessa relação, os grupos acabam mantendo alguma organização para produzir ações conjuntas, de acordo com o interesse desse agrupamento. Sendo assim, eles compartilham hábitos, costumes, normas, valores e também objetivos.
Os principais grupos sociais são a família, a vizinhança, o educativo (escola, universidade), o religioso (instituição), de lazer (clubes, associações), o profissional (escritórios, lojas) e o político (organização política ou grupo partidário).
Sendo assim, as relações entre os indivíduos de determinado grupo social não são anônimas e estão pautadas por gostos e objetivos comuns. Já nos agregados não há, necessariamente, um bem comum e as relações são frouxas, pouco compartilhadas e anônimas.
Parte da definição de cultura é que ela não é uma constante. Ela muda constantemente, conforme os indivíduos e grupos de pessoas se adaptam à novas situações, tecnologias, ambientes e ideias. Como resultado das experiências coletivas, as mentalidades e os hábitos das pessoas que moram perto uma das outras, tradições, práticas e produtos são criados. No século XXI, as culturas continuam mudando.
Fatores e Agentes de Mudança
Não é possível encontrar uma causa ou agente único que se possa considerar exclusivamente responsável ou determinante pelos acontecimentos sociais. No domínio do social, existe sempre uma multiplicidade de causas que, interagindo, produzem situações complexas, implicando, por sua vez, repercussões em diferentes domínios sociais.É nesta convergência de factores que se deverá procurar não a causa, mas o conjunto das causas que permitiram o desencadear do processo de mudança.
Fatores Geográficos:
Em resultado de cataclismos, secas, inundações, pragas, etc, tem-se assistido a grandes êxodos da população rural dos países do Terceiro Mundo. Esta não se encontrando preparada para o exercício de atividades profissionais mais exigentes, acaba por constituir uma mão-de-obra desqualificada e mal paga, sendo obrigada a viver em péssimas condições higiênico-sanitárias e sociais, o que tem provocado alterações nas estruturas sociais das grandes cidades. Este fenômeno é igualmente observável nos países em vias de desenvolvimento onde a agricultura é uma atividade em declínio afastando as populações para os centros urbanos em ascensão.
Fatores Demográficos: Variações nas taxas de crescimento populacional ou grandes êxodos populacionais podem originar situações de mudança social. (ex: emigração inglesa para a América) Antigamente, os emigrantes provocavam grandes alterações no modo de vida das populações autóctones. Hoje em dia, os emigrantes, por contacto com as culturas dos países para onde emigraram, trazem as sementes da mudança para os países de origem.
Fatores Políticos e Sociais:
Fatores como a luta de classes ou o conflito político, a ação das elites sociais ou o aparecimento de movimentos sociais portadores de valores e modelos culturais diferentes constituem exemplos de forças capazes de despoletar situações de mudança. As mudanças decorrentes do 25 de Abril de 1974 são bem representativas da ação decisiva de uma causa de natureza política.
Fatores Culturais:
A evolução das ideias: subcultura e contracultura Na vida social, os indivíduos relacionam-se dinamicamente. Quer se enquadrem na ordem social vigente, quer a contestem, os indivíduos, ao relacionarem-se entre si, refazem a cada dia o tecido social. Nesta teia de relações que entre eles se estabelece podem residir os embriões da mudança.Ao colocar em contato comunidades de indivíduos portadores de culturas diferentes, poderão ocorrer alterações no comportamento de uns e de outros que se concretizam, naturalmente, em futuros processos de mudança cultural e social.
Subcultura – Conjunto de relações e traços culturais que, simultaneamente, afasta e aproxima certos grupos da sociedade global, não pondo em causa a cultura dominante.Quando deparamos com uma subcultura, somos levados a identificar um grupo que, apesar de produzir a sua cultura, não se afasta, de forma significativa, da cultura dominante, antes dela acolhe e assimila inúmeros traços, ao mesmo tempo que contribui para a evolução da cultura dominante que assimila, por sua vez, alguns dos traços das subculturas.Desta forma, as subculturas podem constituir-se como factores de mudança cultural e social.
Contracultura –
Indivíduos e grupos que, não só se afastam dos modelos de comportamento socialmente aceites, como os rejeitam e contestam radicalmente, ao mesmo tempo que apresentam uma alternativa cultural à que é dominante. A contracultura não representará portanto a negação pura e simples da cultura tradicional, antes pressupõe a existência de uma alternativa cultural. O fenômeno da contracultura assim considerado exige que os indivíduos conheçam e interpretem a cultura dominante, para poderem colocar-se «contra» ela e construírem uma outra, assente em valores culturais bem distintos.
Aculturação-
O termo aculturação designa um processo pelo qual duas ou mais culturas diferentes, entrando em contacto contínuo entre si, originam mudanças importantes numa delas ou em ambas.Além da aculturação, uma série de conflitos mentais entre os indivíduos pertencentes a essas culturas pode ocorrer. Esses conflitos têm origem na insegurança que as pessoas sentem diante de uma cultura diferente da sua: aqueles que não conseguem se integrar completamente em nenhuma das culturas que os rodeiam ficam a margem da sociedade. A esse fenômeno dar-se o nome de marginalidade cultural. Como exemplo temos, no interior de São Paulo caingangue descaracterizados culturalmente, eles não conhecem mais nada do seu passado, não se lembram de sua língua, de seus cantos, de sua dança e de suas antigas praticas de trabalho. Também não estão incorporados à cultura que os cerca. Eles são mansos e tristes.
Mudanças endógenas e exógenas
Forças endógenas ou internas: são aquelas que têm sua origem no interior da própria sociedade. Entre essas forças, estudaremos as invenções;
Forças Exógenas ou externas: são as que provêm de outras sociedades, como é o caso da difusão cultural.
- Invenções
- Descoberta é a aquisição de um novo conhecimento, de uma informação nova;
- Invenção é o elemento ativo, a aplicação da descoberta;
- Dizemos: descoberta da eletricidade e invenção da lâmpada; descoberta da energia atômica e invenção da bomba atômica;
- Toda invenção é produto de uma sociedade determinada, embora não seja criação da sociedade em seu conjunto;
- A sociedade fornece as bases para o surgimento da invenção, pois todo inventor utiliza o conhecimento acumulado de sua cultura;
- As invenções são geradas pela combinação do patrimônio cultural da sociedade com determinadas necessidades sociais.
Difusão cultural
- A língua que falamos, a religião que seguimos, muitos utensílios e máquinas que usamos não se formaram nem foram inventados no Brasil;
- É a difusão que aumenta e expande a cultura das várias sociedades e acelera o ritmo da mudança;
- No processo de difusão, o prestígio da cultura doadora também é um dado importante na assimilação de valores pela cultura receptora;
A cultura de uma sociedade é transmitida das gerações adultas as gerações mais jovens pela educação. Educar, pois, é transmitir aos indivíduos os valores, conhecimentos, as técnicas, o modo de viver, enfim, a cultura do grupo.
A cultura é “a vida total de um povo, a herança social que o individuo adquiri de seu grupo. Ou pode ser considerada parte do ambiente que o próprio homem criou”.(Clyde kluckhohn, Antropologia - um espelho para o homem, pg. 28)
O antropólogo polonês Bronislaw (1884-1942) ensina que a cultura compreende “ bens processos técnicos, idéias, hábitos e valores herdados”.
A aquisição e a perpetuação da cultura são um processo social, não biológico, resultante da aprendizagem. Cada sociedade transmite ás novas gerações o patrimônio cultural que recebeu de seus antepassados. Por isso, a cultura é também chamada de herança social.
Nas sociedades em que não há escolas, a transmissão da cultura se da através da família ou da convivência com o grupo adulto. Nesse caso, a educação é assistemática.
Há escolas, estas se encarregam de completar a transmissão da cultura iniciada na família e em outros grupos sociais, nesse caso, a educação é sistemática, isto é, obedece a um sistema, a uma organização previamente planejada.
Identidade Cultural
Cada povo tem uma cultura própria. Cada sociedade elabora sua própria cultura e recebe a influência de outras culturas. Todas as sociedades, desde as mais simples até as mais complexas, possuem cultura. Não há sociedade sem cultura, do mesmo modo que não existe ser humano destituído de cultura.
Desde que nasce, um indivíduo é influenciado pelo meio social em que vive. A não ser o recém – nascido e os raros indivíduos que foram privados do convívio humano, não há pessoas desprovidas de cultura.
A cultura é um estilo de vida próprio, um modo de vida particular, que todas as sociedades possuem e que caracteriza cada uma delas. Assim, os indivíduos que compartilham a mesma cultura apresentam o que se chama de identidade cultural.
Aspecto material e não material da cultura
A cultura material consiste em todo o tipo de utensílios, ferramentas, instrumentos, máquinas, hábitos alimentares, tipo de habitação, etc. A cultura material pode influir no estilo de vida de um grupo. Por exemplo: no interior do nordeste a farinha de mandioca é alimento básico; as redes são usadas por grande parte das pessoas para dormir; as casas são pobres são com barro e folhas de palmeiras. Forma-se assim, um modo ou estilo fundamentado na cultura matéria da região.
A cultura não – material abrange todos os aspectos não – materiais da sociedade, tais como: normas sociais, religião, costumes, ideologia, ciências, artes, folclore, etc. Por exemplo, a maioria da população brasileira segue a religião católica, não há pena de morte na legislação do Brasil e, embora proibido por lei, o preconceito racial é bastante difundido no país.
Os elementos da cultura
A cultura é um todo, um sistema, um conjunto de elementos ligados estreitamente uns aos outros. Para efeito de estudo, vamos desmembrá-la em suas partes, seus elementos. Os principais elementos de uma cultura são: os traços culturais; o complexo cultural; a área cultural; o padrão cultural, a subcultura.
Traços Culturais
Uma ideia uma crença, representavam traços culturais. Um carro, um lápis, uma capa, uma pulseira, um computador também são exemplos de traços culturais.
Os traços culturais são os elementos mais simples da cultura. Eles são as unidades de uma cultura. É necessário ressaltar que os traços culturais só têm significado quando considerados dentro de uma cultura específica. Um colar pode ser um simples adorno para determinado grupo e para outro ter um significado mágico ou religioso. Para os fiéis das religiões afro – brasileiras, por exemplo, os colares têm usados cores especiais, dependendo da divindade cultuada pessoas e, de acordo com a crença dão proteção a quem os usa. Portanto, só no conjunto da cultura é que se pode entender um determinado traço.
Complexo Cultural
A combinação dos traços culturais em torno de uma atividade básica forma um complexo cultural. Por exemplo, o carnaval no Brasil é um complexo cultural que reúne um grupo de traços culturais relacionados uns com os outros: carros alegóricos, música, dança, instrumentos musicais, desfile, etc. Da mesma forma, o futebol é um complexo cultural que pode ser desmembrado em vários traços culturais: o campo, a bola, o juiz, os jogadores, a torcida, as regras do jogo, etc.
Área Cultura
A religião em que predominam determinados complexos culturais forma uma área cultural. Esta é, portanto, a área geográfica por onde se distribui uma certa cultura. Assim, os grupos humanos localizados em que determina área cultural apresentam grandes semelhanças quanto aos traços e complexos culturais.
Padrão Cultural
Padrão cultural é uma norma de comportamento estabelecida pela sociedade. Os indivíduos normalmente agem de acordo com os padrões estabelecidos pela sociedade em que vivem -agem de uma forma estão expressando os padrões culturais do grupo. No Brasil, por exemplo, o casamento monogâmico é um padrão de nossa cultura.
Subcultura
No interior de uma cultura podem aparecer diferenças significativas, caracterizando a existência de uma subcultura. Há regiões do Rio Grande do Sul onde, além dos costumes e valores serem muitas vezes diferentes dos praticados no restante do país, até a língua principal é o italiano ou o alemão. Também os jovens apresentam costumes às vezes muito diferentes dos da população adulta, por isso alguns autores falam de uma subcultura juvenil. Numa subcultura geralmente encontramos o mesmo elemento da cultura, mas com seus símbolos, suas normas, sanções e seus valores sociais particulares.
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Ética e moral são palavras com significados frequentemente parecidos e, ao mesmo tempo, podem ser bastante diferentes. De fato, existem muitas definições possíveis desses termos, embora eles quase sempre estejam de algum modo relacionados. Entenda mais sobre esses conceitos a seguir.
Por outro lado, a ética pode ser mais contextual e ao mesmo tempo maior que a moral, pois envolve uma reflexão sobre a conduta humana. Conforme Umberto Eco, “A dimensão ética começa quando entra em cena o outro”. Assim, é possível perguntar a alguém: qual é a sua ética?
Apesar dessas definições e dos exemplos a seguir, é importante lembrar que essas palavras possuem significados bastante plurais. Desse modo, é um debate ainda em aberto e bastante complexo na filosofia.
Ética e moral
Ética e moral dizem respeito ao modo como seres humanos conduzem suas ações em sociedade.
Geralmente, a moral é normativa – ou seja, é o conjunto de regras de conduta atreladas ao costume ou a uma cultura. Por essa razão, a moralidade não é muito flexível. É como pensar: “o que é certo, é certo”, e ponto.
Exemplos de ética
A ética envolve a preocupação sobre as consequências da ação de um ou mais indivíduos sobre outras pessoas. Em todas as situações, a ética visa pensar sobre o eu e a relação com o outro. A seguir, confira alguns exemplos de comportamentos que podem ser considerados éticos: Um psicólogo clínico não comenta sobre os casos de seus pacientes com terceiros (porque sua conduta profissional é de manter uma relação de confiança com os clientes). Uma médica decide cobrar um valor mais baixo pela consulta para pacientes com baixa renda (porque ela entende que o maior número de pessoas deve ter acesso à saúde). Uma mulher não fura a fila do banco (porque ela não quer ser injusta com outras pessoas que estão esperando por mais tempo). Um pai prepara uma festa de aniversário para seu filho (porque ele havia prometido ao menino uma comemoração). Um dono de uma loja não vende produtos falsificados a seus clientes (porque preza pela sua qualidade e a confiabilidade). Uma pessoa heterossexual impede uma agressão homofóbica ou reage a um xingamento (porque ela é contra a homofobia e defende uma sociedade igualitária).
Exemplos de moral
À princípio, a moral se refere aos costumes e leis gerais impostas pela cultura. Assim, essas regras são ensinadas e permanecem como imperativos que, se não forem cumpridos, podem causar o sentimento de vergonha e culpa no indivíduo. Veja alguns exemplos: Uma pessoa vê uma oportunidade de roubar, mas não o faz (porque a moral impõe que não se deve roubar). Um cliente percebe que o funcionário da loja lhe deu um troco maior, e decide devolver o dinheiro (porque a moral prescreve que deve ser uma pessoa honesta). Uma aluna denuncia uma colega que estava ‘colando’ durante a prova (porque é errado trapacear segundo a moral). Um pai prepara uma festa de aniversário para seu filho (porque a moral impõe que ele deve ser um bom pai). Um dono de uma loja não vende produtos falsificados a seus clientes (porque a boa moral prescreve que não se deve enganar as pessoas). Uma pessoa heterossexual impede uma agressão homofóbica ou reage a um xingamento (porque, conforme a moral, ninguém deve ser agredido injustamente).
DISCUSSÃO
1- É ou não ético roubar um remédio, cujo preço é inacessível, para salvar alguém que, sem ele, morreria?
2- Um amigo lhe conta um segredo e você promete não contar a ninguém. Ele conta que tirou nota integral na prova porque colou. Sabendo da amizade, a professora, desconfiada, procura você e pergunta se o seu amigo colou. O que você faz? Conta a verdade para a professora, quebrando a promessa feita com o amigo ou mantém o segredo? O que é certo ou errado fazer nesta hora?
3-Você é um funcionário da Funai, trabalhando na Amazônia sob ordem expressa de jamais intervir na cultura indígena. Passeando perto de uma clareira, nota que ianomâmis estão envenenando o bebê de uma índia, que está aos prantos.Como os índios camaiurás acreditam que gêmeos trazem maldição, Mayutá deveria ser envenenado. Você impediria a morte do bebê?
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