segunda-feira, 28 de março de 2022

Diferentes ou desiguais?

 

Olhe para os seus colegas de turma e responda: O que te faz diferente deles? Caso você seja mulher e tenha olhado para um colega do sexo masculino, tenha notado que uma das diferenças é o sexo, ou então viu que a diferença está no modo de usar o cabelo, na forma de falar, no tom da pele, no bairro onde moram… enfim, todos nós temos marcas que nos diferenciam dos outros. Mas, ser diferente nos faz desiguais? Vamos refletir um pouco sobre como em nossa sociedade estas marcas de diferença se relacionam com o processo de construção de desigualdades.

Quando nas relações sociais estas marcas que nos diferenciam uns dos outros produzem injustiças e desigualdades socialmente construídas, as chamamos de marcadores sociais da diferença. Você deve estar se perguntando: como construímos socialmente esta desigualdade baseada em marcas de diferença como gênero, classe social ou raça? Percebemos que em nossa sociedade em vários momentos há certa dificuldade em conviver com as diferenças. O preconceito é uma manifestação dessa dificuldade, quando, por exemplo, discriminamos o outro por ser diferente de mim. Assim, infelizmente, assistimos frequentemente no noticiário da TV casos de violência contra homossexuais, violência contra a mulher, e manifestações de racismo contra negros ou nordestinos.


Pensemos na cor da pele como um marcador social da diferença. Sabemos que o racismo e o preconceito contra os negros ainda persiste em nossa sociedade. Um dos exemplos da manifestação deste racismo é a desigualdade entre negros e brancos quando, de acordo com pesquisas, vemos que negros (a soma de pretos e pardos) têm menores graus de escolaridade, logo, têm ocupações no mercado de trabalho com salários menores. Este é o resultado de um longo processo sócio-histórico de exclusão social. Na nossa sociedade também há desigualdades de gêneros que faz com as mulheres tenham salários menores que os homens no mercado de trabalho e sejam vítimas de violência doméstica, por exemplo. A desigualdade de gênero também é resultado de um longo processo sócio-histórico que sempre colocou as mulheres como o “sexo frágil” e como a principal responsável pelo cuidado com a casa e com os filhos. A divisão desigual do trabalho doméstico, por exemplo, dificulta um grande número de mulheres terem ocupações com salários maiores, esta dificuldade ainda é maior para as mulheres negras.


fonte: https://cenpsg1.wordpress.com/sociologia/

ATIVIDADE PROPOSTA

Após ler o texto realize a atividade abaixo. Para resolvê-la leia as orientações com atenção. Não esqueça de colocar seu nome completo na atividade. Ao terminar click em “Finish” (finalizar). Depois selecione “Enviar as minhas respostas ao professor” e mandar para o e-mail: angela.boscardin@gmail.com

Veja na foto abaixo como fazer:

segunda-feira, 21 de março de 2022

Ações afirmativas: o que é isso?

 


Você sabia que é possível falarmos em discriminação positiva? Sim! Discriminação positiva significa um tratamento preferencial concedido a pessoas que possuem algum tipo de desvantagem que pode ser de natureza econômica, social ou física. Veja bem, esta discriminação pode ser chamada de positiva, pois discrimina positivamente indivíduos e grupos que por diferentes razões estão em condições desfavoráveis. Nesse sentido, esse tipo de discriminação tem como objetivo diminuir as desigualdades sociais.

O filósofo Aristóteles uma vez afirmou que era necessário “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida em que se desigualem”. Esta frase nos ajuda a compreender que para vivermos em uma sociedade mais justa e igualitária é necessário em determinados casos tratar desigualmente os desiguais.

O Brasil é um país marcado por desigualdades sociais. Isso significa que, mesmo com muitos avanços nos últimos anos, persistem no nosso país o acesso desigual de indivíduos e grupos a posse de bens, a educação, saúde e moradia por exemplo. Por isso se faz necessário ações que visem diminuir estas desigualdades e promover a igualdade.

As políticas de ação afirmativa é uma forma de discriminação positiva, pois tem como objetivo a inclusão social de grupos excluídos socialmente. O que caracteriza as ações afirmativas é o fato de serem políticas temporárias voltadas e implementadas para grupos que, historicamente sofreram ou ainda sofrem algum tipo de discriminação na sociedade. O objetivo das ações afirmativas é incluir estes grupos em espaços onde eles são sub-representações, devido à discriminação que sofrem (SANTOS, 2010).

Um tipo de ação afirmativa são as cotas raciais nas universidades, por exemplo. No nosso país se faz presente uma desigualdade racial muito grande que ilustra como determinado grupo é excluído e não se vê representado em todos os espaços da sociedade. No último censo do IBGE, em 2010, a população negra era a maioria da população (50,7%), porém não é muito frequente, ao ligarmos a TV, por exemplo, ver um número muito grande de negros em campanhas publicitárias. Também não é muito frequente no nosso país vermos negros médicos, juízes ou engenheiros. Essa desigualdade foi social e historicamente construída e é uma herança do nosso passado de escravidão que colocava negros em situações desiguais, mesmo após a abolição. Vemos então que a ação afirmativa visa transformar esta realidade na tentativa de eliminar e desconstruir esta desigualdade.


ATIVIDADE PROPOSTA

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fonte: https://cediumamadeira.wixsite.com/cediuma/autorreguladas

domingo, 20 de março de 2022

Nós e os outros



Conhecer as diferentes formas de viver, agir e pensar dos diversos povos e grupos é muito interessante. Comparar a nossa forma de viver com culturas diferentes nos ajuda a compreender melhor a nossa própria cultura. Vamos então falar um pouco mais sobre isso? Escrevendo sobre a diversidade cultural, o antropólogo Roque de Barros Laraia faz as seguintes comparações:

Qualquer um dos leitores que quiser constatar, uma vez mais, a existência dessas diferenças não necessita retornar ao passado, nem mesmo empreender uma difícil viagem a um grupo indígena, localizado nos confins da floresta amazônica ou em uma distante ilha do Pacífico. Basta comparar os costumes de nossos contemporâneos que vivem no chamado mundo civilizado.

Esta comparação pode começar pelo sentido do trânsito na Inglaterra, que segue a mão esquerda; pelos hábitos culinários franceses, onde rãs, e escargots (capazes de causar repulsa a muitos povos) são considerados como iguarias, até outros usos e costumes que chamam a atenção para as diferenças culturais.

No Japão, por exemplo, era costume que o devedor insolvente praticasse o suicídio na véspera do ano-novo, como uma maneira de limpar o seu nome e o de sua família. O haraquiri (suicídio ritual) sempre foi considerado como uma forma de heroísmo. Tal costume justificou o aparecimento dos ‘pilotos suicidas’ durante a Segunda Guerra Mundial [...[

A carne de boi é interditada aos hindus, da mesma forma que a de porco é interditada aos muçulmanos. [...]

Não é necessário ir tão longe, nesta sequência de exemplos que poderia se estender infinitamente; basta verificar que em algumas regiões do Norte do Brasil a gravidez é considerada uma enfermidade, e o ato de parir é denominado ‘descansar’. Esta mesmo palavra é utilizada, no Sul do país, para se referir à morte (fulano descansou, isto é, morreu). Ainda entre nós, existe uma diversidade de interdições alimentares que consideram perigoso o consumo conjunto de certos alimentos que isoladamente são inofensivos, como a manga com leite etc.

LARAIA, Roque de Barros. Cultura um conceito antropológico. 23. Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2009. p. 15-16.


Percebeu a variedade de formas de viver, agir e pensar? Conhecer culturas diferentes das nossas leva-nos a perceber que a nossa forma de viver é apenas uma entre diversas culturas nos diferentes países ou até mesmo dentre de um mesmo país. Olhar a cultura do outro faz com que olhemos para nossa própria cultura e notemos que a nossa forma de ver o mundo é apenas uma entre milhares possíveis.

A nossa cultura dá significado para as nossas ações, ou seja, nos fornece modelos de comportamento. Os valores, normas e padrões sociais influenciam a forma como pensamos e compreendemos o mundo a nossa volta. Podemos dizer que a cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo. Bom, se existem diversas culturas logo há diferentes lentes, ou seja, diferentes formas de ver o mundo.

O problema é que acabamos olhando a cultura do outro a partir de nossas próprias lentes. Isso quer dizer que, quando conhecemos uma forma de viver diferente da nossa, tendemos a achá-la “estranha”, “fora do normal” e até mesmo incorreta. A atitude de julgar os outros pelo nosso próprio ponto de vista, tomando a própria cultura como a correta chama-se etnocentrismo. O etnocentrismo faz com que julguemos a cultura do outro como fora do padrão e consideremos somente a nossa própria cultura, ou a nossa forma de viver como a “normal”. A atitude etnocêntrica acaba levando ao preconceito e a intolerância já que nos impede de compreender que a nossa forma de pensar e viver é apenas uma entre milhares e que todas estão corretas por mais que, de nossas lentes ou do nosso ponto de vista, possa parecer diferente.

É natural que achemos estranho o que não nos é familiar e não faz parte da nossa cultura. Porém, é importante que vejamos a cultura do outro como uma forma diferente de ver o mundo, tão correta como a nossa. Atualmente, infelizmente, vivenciamos em nossa sociedade várias situações de intolerância com a forma de viver, agir e pensar do outro que leva ao preconceito, discriminação e até mesmo a violência. Um exemplo, são os casos de violência contra homossexuais que sofrem com a intolerância daqueles que não respeitam os que tem opções e ações diferentes da sua. Outro exemplo de uma atitude etnocêntrica é também a intolerância religiosa. Devemos evitar o etnocentrismo que leva a intolerância, ao preconceito e a discriminação e respeitar as diferenças e as diversas formas de ver o mundo!



Ao olhar para uma cultura diferente da nossa, é preciso compreender o ponto de vista do outro a partir da sua própria cultura, da sua própria forma de pensar e ver o mundo do outro e não da nossa. Chamamos esta atitude de relativismo cultural, quando percebemos que os pontos de vista são relativos ao contexto cultural, ou seja, dependem da cultura a qual o indivíduo faz parte.

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fonte: https://cediumamadeira.wixsite.com/cediuma/autorreguladas
http://www.ead.uepb.edu.br/arquivos/cursos/Geografia_PAR_UAB/Fasciculos%20%20Material/Estudos_Contemporaneos_Cultura/Est_C_C_A15_J_GR_260508.pdf